Archive for the ‘Livros’ Category

BELVEDERE

Friday, June 29th, 2007

belvedere-chacal.jpg

Lançamento BELVEDERE

A festa de lançamento do livro do poeta Chacal
será comandada pelo DJ Dany Rolan e Augusto Massi.
Carlito Azevedo e o autor do livro recitarão poemas.

Quinta-feira, 05 de julho, das 22h às 02h
Bar do Lúcio
Pça.da Matriz, 03
Centro Histórico de Parati (RJ)
Tel. (24) 3371 8261
Entrada franca

Muito longe de casa

Saturday, June 23rd, 2007

ishmaelbeah-capa.jpgNos anos 90, Ishmael era um garoto de Serra Leoa que gostava de Shakespeare e de hip-hop e que teve aos doze anos a infância interrompida, quando a guerra civil chegou à sua aldeia. Conseguiu escapar dos rebeldes que assassinaram sua família: a Frente Revolucionária Unida, FRU, que iniciou o conflito é um grupo conhecido por atrocidades como amputar as mãos de suas vítimas. Escapou dos rebeldes e foi cair nas mãos das tropas governamentais que o recrutaram para o combate, recebendo alimentação (feita de drogas pesadas) e treinamento que o transformaria num assassino obstinado e em um escravo das circunstâncias. Passou a não reagir mais como uma pessoa normal, era como se estivesse anestesiado. Segundo ele, recrutar crianças tornou-se uma prática natural tanto por rebeldes como pelas tropas do governo e a única diferença era que os soldados leoneses não mutilavam suas vítimas. Entre os fatos narrados há um momento em que, atingido no pé em um dos combates, foi obrigado pelo comandante a apontar entre os inimigos capturados quem era o responsável por seu ferimento. Respondeu não ter certeza se o atirador era um dos prisioneiros:

“Mas qualquer um deles poderia ter atirado. Então, todos eles foram alinhados, seis deles, com as mãos amarradas. Eu atirei nos seus pés e assisti ao sofrimento deles um dia inteiro antes de finalmente atirar na cabeça para que eles parassem de chorar”.

Resgatado pela Unicef após três anos atuando como soldado infantil, voltou a estudar, passou a morar em Nova York e tornou-se um porta-voz da campanha contra a barbárie: 300 mil crianças são forçadas a combater em 50 conflitos no mundo, em sua maioria na África.

O livro, lançado pela Ediouro no Brasil, também foi uma prova difícil para Ishmael. No início ele sofreu interrogações sobre a veracidade da história. Como compreender que um garoto possua tal memória fotográfica sem compreender que sua cultura estava apoiada por séculos numa tradição de história oral? Os fatos narrados são de fato dolorosos e cruéis, tanto quanto a violência narrada por Paulo Lins em Cidade de Deus. Violência que talvez deva ser encarada pela esperança no relato de resgate que Beah faz em seu livro.

Trezentas mil crianças-soldado, lavagem cerebral, entorpecentes, abusos dos senhores da guerra, morte. Muitas hoje ainda sofrem com as conseqüências. Fã de hip hop e de boa literatura, Ishmael Beah, após passar a infância e a adolescência na roda-viva da guerra, foi reabilitado pela Unicef e teve a chance de contar o que qualquer ficção jamais conseguiria recriar. Uma narrativa convincente, de linguagem bem acabada da visão do inferno, por quem esteve lá e conseguiu sair com vida.


Título: Muito longe de casa
Autor: Ishmael Beah
Tradução: Cecília Giannetti
Páginas: 224,
Altura : 23 cm, Largura : 15,5 cm
ISBN 9788500021213
Editora: Ediouro
R$ 34,90
Lançamento: Junho/06

A Grande Guerra pela Civilização

Thursday, June 14th, 2007

Um dos mais Aguardados autores da FLIP, Robert Fisk vem ao Brasil para lançar A Grande Guerra pela Civilização, seu livro definitivo sobre a experiência no Oriente Médio e o que a guerra lhe ensinou.

robert-fisk-capa.jpg Robert Fisk entrevistou Osama Bin Laden três vezes e passou os últimos 30 anos embrenhado nos campos de batalha do Oriente Médio - 15 deles dedicados à escrita deste livro. A Grande Guerra pela Civilização desvenda as mentiras que mandaram soldados para a morte e mataram milhares de homens e mulheres ao longo do século passado. No entanto, ao mesmo tempo, é uma crônica dos jornalistas de guerra, relatando a frustração dos correspondentes que gastam suas vidas reportando em primeira mão a história. Afinal, aonde a guerra nos leva? À civilização?

“Eu costumava afirmar, com certeza em vão, que todo repórter deve levar um livro de História no bolso. Em 1992, estive em Saravejo e me encontrei, enquanto os obuses sérvios zuniam sobre minha cabeça, sobre a mesma lajota da qual Gavrilo Princip fez o disparo fatal que mandou meu pai às trincheiras da Primeira Guerra Mundial. E, evidentemente, continuavam soando disparos em Saravejo em 1992. Era como se a História fosse uma gigantesca câmera de eco. Esse ano foi o ano em que meu pai morreu. Essa é, portanto, a história de sua geração. E da minha”, declara Fisk, no prólogo de A Grande Guerra Pela Civilização.

Obra-prima da aventura e da tragédia, amenizada por observações cheias de humor e compaixão, o livro passa de uma cronologia da história do Oriente Médio para relatar a história do mundo violento que molda nossas vidas e nosso futuro. “A intensidade é ao mesmo tempo a grande força e uma das principais fraquezas do livro. Após lê-lo, ninguém pode se esconder dos imensos custos humanos das decisões feitas por generais e políticos, sejam eles do Oriente Médio ou não”, destaca o jornalista Stephen Humphreys, no jornal The Washington Post.

Título: A Grande Guerra pela Civilização
Autor: Robert Fisk
Páginas: 1496
Formato: 16×23 cm
Preço: R$ 120,00
ISBN: 978-85-7665-284-7
Lançamento nos próximos dias

Editora Planeta
Assessoria de Comunicação
Mel Mansur e André Teixeira

Lançamentos

Thursday, June 14th, 2007

Saiba mais sobre os livros que estão sendo lançados na V FLIP.

Livros na FLIP

Thursday, June 14th, 2007

Uma seleção de livros dos autores presentes na FLIP 2007.

FUGA

Wednesday, June 13th, 2007

fuga-rocco2.jpgPor quanto tempo uma pessoa consegue viver sob uma pesarosa atmosfera de segredo sem gerar desconfianças, embora se corroa dia após dia, temendo as trágicas conseqüências que um passado velado possa acarretar? Sally Gilmartin, 66 anos, uma respeitável viúva inglesa, escondeu de todos, num meticuloso cofre de silêncio, sua real identidade. Mas é chegada a hora de acertar as contas com o passado. E somente sua filha, Ruth, terá acesso à combinação deste cofre que guarda um espelho em que a velha inglesa Sally enxerga a jovem russa Eva Delectorskaya. Este é o ponto de partida de Fuga, eletrizante e envolvente thriller histórico de suspense e espionagem, novo livro do laureado ganês William Boyd, que irá participar da quinta edição da Festa Literária de Paraty, em julho.

Na trama, Sally resolve revelar, em capítulos, sua verdadeira identidade como Eva a sua filha (e ao leitor) através de uma minuciosa e detalhada história contada em terceira pessoa: o olhar da avó da década de 70 sobre a pré-balzaquiana na Paris de 1939, que, no funeral de Kolia, o caçula da casa, é recrutada pelo misterioso e ambíguo homem de chapéu de feltro marrom, “sorriso camaleônico e enorme autoconfiança”, Lucas Romer, como espiã do serviço secreto britânico na Segunda Guerra. Ela assume o posto que foi de seu irmão, assassinado por nazifascistas em perigosa missão – “um gesto de desafio para mostrar que sua morte não tinha sido em vão”.

Aceito o emprego, Eva Delectorskaya se vê mudando de identidade (Eve Dalton, a primeira de muitas) e abandonando o cargo de tradutora da Frellon, Gonzáles et Cie. para tornar-se espiã na Escócia sob o comando do sargento Law. Código Morse, taquigrafia, manejo de vários tipos de revólver, leitura de mapa e bússola, criação e quebra de códigos simples, falsificação de documentos, fabricação de tinta invisível, e uma memória precisa, capaz de arquivar senhas e esquemas variados, estão entre as muitas lições de espionagem que recebeu. Porém, apesar de todo treinamento, movida pelo coração e por uma entrega cega, ela se esquece da única regra em seu serviço: não confiar em ninguém.

Assim, além de manipular a imprensa através de agências de notícias controladas pelo serviço secreto com o objetivo de mudar a opinião pública a respeito da Segunda Guerra Mundial, a senhorita Dalton é lançada a duas missões, em que são colocadas à prova sua competência, abnegação, lealdade e intuição. Dois testes para que pudesse cair na armadilha de uma terceira missão na qual, traída, sente de perto o gosto da morte e inicia uma fuga desesperada para manter sua integridade física e poder começar uma nova vida.

Ela nunca superou ou esqueceu a conspiração da qual foi vítima. Anos depois, ela ainda sente a necessidade de encarar os olhos do passado para cicatrizar a história que se tornou uma eterna chaga de desconfiança e medo em seu peito – afinal, o espião vê “o mundo e a humanidade de uma forma diferente das pessoas comuns”. São os pormenores que o mantêm vivo, são as minúcias que determinam os rumos, vencedores e perdedores de uma guerra, e são os detalhes – estilo límpido, mesclando ironia e elegância; uma narrativa não-linear à la Quentin Tarantino; dois narradores competentes dando voz a um terceiro perdido no tempo; riqueza de cenários e dados históricos; diálogos rápidos, verossímeis, triviais sem serem vazios – que conferem a este premiado romance de Boyd uma completa entrega do leitor, faminto por uma boa diversão, para lê-lo em uma só “sentada” num domingo.


Título: Fuga
Autor: William Boyd
Tradução: Antônio E. de Moura Filho
Páginas: 320
ISBN: 978-85-325-2199-6
Código: 9788532521996
Lançamento: 2007 - Durante a FLIP

Editora Rocco
Assessoria de Imprensa : Cíntia Borges

Aroma

Saturday, June 9th, 2007

O cadáver jazia entre os sulcos. Ramón se aproximou devagarinho, com o coração disparando a cada passo. A mulher estava nua, caída de rosto para cima sobre uma poça de sangue. Assim que a viu, ele não pôde mais tirar os olhos de cima dela. Em seus dezesseis anos, várias vezes já sonhara contemplar uma mulher nua, mas nunca imaginara encontrá-la daquele jeito. Mais com assombro do que com luxúria, percorreu com o olhar a pele suave e inerte: era um corpo jovem. Com os braços estirados para trás e uma das pernas ligeiramente dobrada, ela parecia pedir um abraço final. A imagem o transtornou. Ele engoliu em seco e respirou fundo. Percebeu o doce aroma de um perfume floral barato. Teve vontade de dar a mão à mulher, levantá-la e mandá-la parar com aquela mentira de que estava morta. Ela continuou nua e quieta. Ramón tirou a camisa - sua camisa de domingo - e cobriu-a o melhor que pôde. Ao se aproximar, reconheceu-a: era Adela, e tinha sido apunhalada pelas costas.

Guilhermo Arriaga. Um doce aroma de morte, Trad. Joana Angélica d’Avila Melo, Rio de Janeiro: Griphus, 2007, p. 10.

Alan Paus: “Não sou um especialista em amor. Sou mais uma vítima”

Wednesday, June 6th, 2007

Em entrevista concedida por e-mail à André Miranda publicada no jornal O Globo de 4 de junho de 2007, Alan Pauls fala do seu livro “O passado”, ganhador do XXI Prêmio Herralde de Novela em 2003, com lançamento no Brasil esta semana pela editora Cosac Naify.

“Não sou um especialista em amor. No melhor dos casos, sou mais uma vítima, como qualquer outra. Apenas escrevi um romance que imagina o que se sucede quando o amor parece ter chegado ao fim. Um romance de pós-amor.
A idéia é que, quando o amor termina, o que ocorre na realidade é ele mudar de forma e se tornar fantasmagórico, muito mais absorvente e absoluto do que antes”.

“O final de uma relação é sempre um momento crítico. Em tudo, tanto no amor, como na comunicação. As senhas que anunciam que as coisas estão terminando nunca são claras. E, ainda que sejam, nunca são interpretadas da mesma maneira pelas pessoas envolvidas na situação. O que é certo é que os finais nunca são naturais: sempre requerem uma dose de violência para acontecerem”.

Alan Pauls é presença confirmada na mesa 13 - Perdoa-me por me traíres - da FLIP 2007 ao lado de Maria Rita Kehl.