Quando eu ainda não sabia

July 10th, 2007

Porque tudo aconteceu muito rápido. Culpa minha pelo dia de folga que não me dei antes de tudo começar. O impacto diante das regras que (por favor, não me deixem esquecer de mencionar aqui o texto de literatura de estimação de Veronica Stigger) logo no show de abertura me deixou tonta. E burra. Sim, porque no dia seguinte eu ainda achava que a tonteira era cansaço. E não era. Engraçado a Mesa 2 composta por Chacal e Lobão justamente na manhã seguinte… e a gente rindo sobre coisas como o controle das gravadoras, o tanto que se batalha para conseguir mudar algumas coisas, blablabla-blablabla. Eu, naquele momento, era público de fato. Estava na platéia com minhas câmeras compactas e em momento algum passou por minha mente que eu estivesse cometendo algum erro. Mas estava. Estava?! Bem, alguém que estava na porta antes que eu pudesse chegar “diante da Lei”, me disse que sim. Agora é tarde. E lamentavelmente eu soube antes das outras mesas… portanto, aí vai o que uma pessoa comum pode colher sentada em uma platéia da FLIP. Não é vendável. Não tem qualidade. E nem vem ao caso, convenhamos. É só o registro comum de quem gosta de literatura, música, poesia e idiotamente vai tentando capturar palavras de pessoas (obviamente também comuns porque ainda que haja controvérsias, as estrelas estão no céu).

Depois, mantive minhas maquininhas desligadas durante as mesas, como convinha às Leis. Deixei para os rapazes-lagartixas o trabalho sujo. E falarei a respeito, é claro.

Aí vão uns videozinhos amadoríssimos e gostosos da Mesa Uivos com Chacal e Lobão.

Palavras de Chacal:


Um poema de Lobão:


Mais Chacal:




Tá…
Se eu conseguir driblar a gripe e o cansaço, trago mais Lobão para cá, de preferência, com sua “caixa preta”. Aguardem e confiem.

U P D A T E (como prometi)

Palavras (mais ou menos assim) do Lobão:

Vou tocar uma música que eu fiz quando o Tom Jobim morreu. O Tom morreu e eu pensei assim… Pô, já faz um tempo, né? Mas Olha só que loucura. Lembrei de uma música super significativa que é o Samba do Avião, a gente sempre quando tá sobrevoando o Rio de Janeiro vem aquela… “minha alma canta”, né?… linda! E quando o Tom morreu eu pensei: pô esse samba do avião já não cabe mais no Rio de Janeiro. Então eu pensei assim: bom, o avião caiu e só sobrou a caixa preta. Então, este aqui é o Samba da Caixa Preta. Uma homenagem à cidade em que nasci:


Ilustração: Ishmael Beah passeando em Parati.

July 10th, 2007


(envie esta foto-ilustração como cartão postal)

Mariana acendeu nossos sorrisos após a viagem de volta.

Vejam o tanto de cor que ela tem a dizer, enquanto a gente desfaz as malas e bota algo no estômago para sentar aqui e contar tudo, tudinho.

Paraty, 07-07-2007

July 8th, 2007

Outro dia agitado. Gostei muito das mesas 11, 12, 14 e 16. A mesa 13 teria sido melhor se a conversa com Alan Pauls não se realizasse com uma psicanalisa. Maria Rita Kehl disse que tentaria falar do livro sem contar a história dele. Nem precisava, ela fez o que não se deve fazer. Explicou o livro. Falou sobre os personagens, sobre o narrador, suas características, fragilidades, sobre a traição. A mesa 15, com a estrela da festa, J. M. Coetzee foi a mais concorrida (E a mais sonolenta também). Tão concorrida que Alan Pauls ficou sentado no chão. Ele e muita gente que pagou para entrar e assistir em cadeiras confortáveis. Achei muio estranho. Até então os únicos privilegiados com um lugar ao chão éramos nós, os fotógrafos. Ainda bem que fotografar o Coetzee é fácil. Ele ficou lá, de pé, estático, quase um modelo vivo. Limitou-se a ler um trecho enorme do seu próximo livro que não foi lançado nem no exterior.

A mesa 16 foi surpreendente e merecerá um post específico mais tarde. “Um beijo”, leitura de “O Beijo no Asfalto”, dirigida por Bia Lessa, com escritores e músicos no lugar de atores arrancou aplausos e risos do público. Silviano Santiago deveria ganhar um Oscar de crítico literário-escritor-ator revelação com sua performance como o repórter Amado Ribeiro.

Outro post a parte será com uma série de fotos das escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo e interferido na cozinha caiçara com Almir Tan na Cookin School. A idéia foi do pessoal do British Council, que gentilmente me convidou a ir junto fotografar.

Mesa 11 - Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos
FLIP: Mesa 11 - Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos.
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Mesa 12 - Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago
FLIP: Mesa 12 - Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago.
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Mesa 13 - Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls
FLIP: Mesa 13 - Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls.
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Mesa 14 - Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk
FLIP: Mesa 14 - Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk.
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Mesa 15 - J.M. Coetzee
FLIP: Mesa 15 - J.M. Coetzee.
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Mesa 16 - Bia Lessa, coordenando a ótimaleitura 'Um Beijo'
FLIP: Mesa 16 - Bia Lessa, coordenando a ótima leitura ‘Um Beijo’.
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Mesa 16 - Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa
FLIP: Mesa 16 - Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa.
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As escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo a arte da cozinha caiçara com Almir Tan.
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Fotos: Sergio Fonseca

Mais Literatura

July 7th, 2007

Continuamos aqui na correria. O tempo é curto para muitas coisas a fazer. Manter a atualização do blog, por conta disso, está muito difícil. A conexão internet via rádio em Paraty parece acompanhar o ritmo das charretes que passeiam pela cidade. As fotos abaixo são das mesas de 3 a 10. Fiz algumas centenas de fotos mas ao menos nesse momento, tenho que escolher apenas algumas como registro. Temos vídeos de palestras, Lobão tocando, mas tudo isso, só ao voltar para o Rio.

Além dos eventos da FLIP, ontem cobrimos três ótimas mesas da OFF-FLIP com a Editora Língua Geral: Literatura e Música, com Mauro Sta Cecília e Miguel Gullander, mediada por Ney Lopes, A Escrita na Era da Imagem - ou de como o cinema mudou a literatura, com Ana Paula Maia e Christiane Tassis, cediada por Belisário Franca e por último, Os Caminhos da Nova Ficção Africana em Língua Portuguesa - Cosmopolitanismo X Tradição, com Agualusa e Mia Couto mediada por Nelson Saúte, quem conduziu e manteve um “debate em alto nível”, apesar das histórias divertidíssimas contadas por Agualusa e Mia Couto. Depois falaremos mais a respeito e publicaremos fotos, pois agora o tempo é curto. Ficamos realmente muito felizes em ver a Casa da Cultura lotada, com muita gente de pé e o esforço dos organizadores da OFF.

Mesa 3 - Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino
FLIP: Mesa 3 - Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino.

Mesa 4 - Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self
FLIP: Mesa 4 - Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self.

Mesa 5 - Angel Gurrá-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa
FLIP: Mesa 5 - Angel Gurría-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa.

Mesa 6 - Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais
FLIP: Mesa 6 - Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais.

Mesa 7 - Ángel Gurrá-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves
FLIP: Mesa 7 - Ángel Gurría-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves.

Mesa 8 - José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres
FLIP: Mesa 8 - José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres.

Mesa 9 - Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga
FLIP: Mesa 9 - Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga.

Mesa 9, aplaudidos de pé
FLIP: Mesa 9, aplaudidos de pé.

Mesa 10 - Angel Gurrá-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz
FLIP: Mesa 10 - Angel Gurría-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz.

Coletiva com Guilhermo Arriaga
FLIP: Coletiva com Guilhermo Arriaga.

Coetzee nas ruas
FLIP: Coetzee nas ruas.

Fotos: Sergio Fonseca

Sobre tudo de bom (antes de eu ir para a OFF)

July 6th, 2007

Não me deixem esquecer de falar sobre os tudo de bom. Especialmente da mesa 1 e 2 que fizeram minha paciência voltar para o lugar e minha alegria de estar aqui ser mesmo de verdade. Não me deixem esquecer de contar sobre o quanto é linda e querida a Marília da OFF. Não me deixem deixar de contar o mar (a ressaca dos olhos) diante da coletiva do Arriaga e da mesa 9 partilhada com Dennis… my god, se eu não souber contar, me matem. Com um furador de gelo, por favor.

E tem mais. Mas eu vou contar! 

Hoje, noite de sexta-feira…

July 6th, 2007

Pois é, vou escrever aqui, creiam-me: estou viva. Saí da fila dos autógrafos, perdi a mesa de Nadine (juro) e agora consegui entrar na sala de imprensa: com computadores disponíveis e conexão razoável! Não é incrível? Mas, não vou tagarelar muito, não. Dentro de 20 minutos as ótimas mesas da maravilhosésima OFF FLIP me esperam. Não posso fazer queixa da falta de tempo. Veja bem, quando digo “não posso” não estou dizendo que mandaram a gente não falar a respeito, nem que mandaram ou desmandaram qualquer coisa. Longe de mim dizer algo semelhante. As regras aqui são de brincadeirinha. Eu demoro a descobrir as coisas, mas até o final da FLIP vai cair a minha ficha. Tem que cair. As regras são a parte divertida (vou contar melhor, prometo). Uma das coisas engraçadas é este tipo de informação que sai por escrito muito bem clara: “proibido fotografar fulano”. Aí eu tomo um quase nojo da cara do fulano e quando o encontro, lá está ele lindo-leve-serelepe-sorridente fazendo fotos ao lado dos seus leitores e fãs, fazendo pose para os fotógrafos amadores e para os jornalistas. E a minha cara de otária fica a perguntar para os meus botões imbecis de onde saiu a notícia oficial? Não sei. Tem muita coisa por aqui que eu não explico. Acho que a FLIP é algo da minha imaginação, não é de verdade. É literatura.

Paraty, 05-07-2007 - Literatura afinal

July 5th, 2007

Depois do estresse e da correria da véspera, confesso qua as mesas 1 e 2 foram realmente sensacionais..

Mesa 1, FabrÃcio Corsaletti
FLIP: Mesa 1, Fabrício Corsaletti.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 1, CecÃlia Gianetti
FLIP: Mesa 1, Cecília Gianetti.
Foto: Ane Aguirre

Mesa 1, Veronica Stigger
FLIP: Mesa 1, Veronica Stigger.
Foto: Sergio Fonseca

Bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som
FLIP: Exclusiva, bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 2, Chacal
FLIP: Mesa 2, Chacal
Foto: Sergio Fonseca

FLIP - a noite de abertura

July 5th, 2007

Documentar a quinta edição da FLIP está sendo um aprendizado de paciência. São tantas restrições, algumas mais estranhas do que exigências de pop stars. E por conta dos atrasos, é tudo uma correria. De qualquer forma, abaixo, algumas fotos da abertura oficial da FLIP 2007.

Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP.

Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP.

Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Fotos: Sergio Fonseca

Antes da Mesa 1

July 5th, 2007

sejamos práticos
e sinceros
orelha nenhuma tem que ser bonita
têm que ser simpáticas
ou inteligentes

as suas são do primeiro tipo

(Fabrício Corsaletti)

Parece que é simples assim: chegar, acomodar as malas, calçar algo adequado para as ruas de pedras e sair pelas calçadas de sol e janelas sorridentes. Não é. Para mim, ao menos. Tem o método, o desapego dos dias de ontem, o telefone que chama mais do que anteontem, a conexão imperfeita nas salas de máquinas que faz parecer falha qualquer comunicação. Também é falso. A comunicação não pode ser falha em um lugar de livros que se balançam em árvores, entre crianças que vasculham linhas com olhos arregaladamente interessados. De verdade. Passei por uma que dizia à professora: “preciso vir de crachá amanhã? então vou dormir com ele para não esquecer”. Sorri até o canto de minhas orelhas imperfeitas imaginando que Corsaletti deveria avaliá-las melhor antes da dedicatória que vou pedir justamente nesta página. Sim, já fiz a dobra na 149 e faço questão agora de orelhas de um segundo tipo.

Não é simples, não. Mas há aqui um prazer ora festivo, ora melancólico. E há uma porção de coisas únicas: que só a FLIP faz por você. A gente ri de algumas dores nos pés e outras em lugares indizíveis (e aqui eu não me refiro – ainda – à literatura de Stigger). As coisas mudam e não mudam de verdade. Há uma vontade, a gente sente – e não mentem os olhos esperançosos de Cassiano, nem a água azul do sorriso de Liz. Mas o andar ainda usa as velhas e belas charretes da praça. Alguém marca às 16h um encontro com o pessoal da imprensa, a gente corre com um franguinho leve no almoço e pontualmente espera. E espera até 16:40h para uma reunião de onze minutos em que resumidamente é esclarecido que já temos todo o material e informações necessárias. Verdade. Eu, pelo menos, concordei. Até o evento de abertura. E aí eu queria voltar ao papo daquela reunião que fora interrompida (para que os organizadores fizessem a boa digestão do recém e merecido almoço), eu não percebera que precisaria fazer uma pergunta sobre o que não estava escrito. Não vou digerir aqui o caso do evento de abertura porque é tarde: São duas da matina e eu troquei o show por um jantarzinho inigualável (todos os humanos do bem deveriam ter a chance de fazer o mesmo) ali no Restaurante A Luzia (Rua do Comércio 58) regado ao bom vinho, música pra alma, semblantes amigos e comida de primeira. Ficamos lá antes de encarar a noite fria que nos levaria aos tropeços de volta ao nosso quarto lilás.

Mas bem antes disso, estava marcada uma coletiva com um jovem escritor que muito me agrada por sua experiência dolorosa e marcante muito longe de casa. Esperavam os pacientes desde as 19h, mas os impacientes saíram do local quarenta minutos depois porque o escritor havia saído cinco minutos antes do horário marcado para comer pastel com pessoas amigas. Não sei se voltou. Perdi esta parte da história e lembrei daquelas do Silviano Santiago.

Pelos meus cálculos, cheguei ainda cedo ao evento de abertura. Não vou falar sobre minha impressão esquisita de não ter para onde olhar sentada na lateral da quarta fila. Para um lugar central eu devia ter imaginado ponteiros um tanto mais adiantados. EntãO, foi como antigamente, ouvindo rádio, as informações chegando. Tudo bem sobre essa besteira de comprar ingressos antecipados e chegar com muitos minutos de antecedência para um evento que a julgar pelo cotidiano vai atrasar: “Batata!” – como dizia Nelson. Tudo bem que crachá de imprensa não dá direito a sentar nas três primeiras fileiras mesmo que você tenha pago pelos seus ingressos. Mas o mocinho simpático que se desculpou e depois formou com os demais a corrente protetora contra os portadores de crachás de imprensa garantiu que aos jornalistas estava reservada a área lateral – ao lado das cadeiras. Sim, os fotógrafos poderiam tentar encontrar um bom ângulo ali, de pé, no canto ao lado dos “sem ingressos” (espertos!) que se divertiam atrás das grades. Um sentimento estranho, quase pior do que possuir as orelhas nada bonitas e provavelmente pouco inteligentes. Eu não vi Bárbara nem Cassiano e nem Liz. Eu ouvi tudo com minhas orelhas antipáticas e laterais, com brincos feitos de ingressos antecipados bem pagos, e credenciais cinza. Se ao menos fossem coloridas como as portas e janelas de Paraty… mas não. E aí a Orquestra Imperial me fez lembrar de um Pedro, um grito e uma saída. Bem lateral e rápida eu disse ao homem de preto: estou saindo para ver a vida e a lua. Ele achou que era uma boa idéia.

Já na cama, eu li trechos de Giannetti. Ela é uma menina engraçada que me faz sentir coisas estranhas:

“Temos os fantasmas que merecemos. Eles são feitos de coisas que não cabem aqui. Vieram sem anúncio e somente quando decidiram ir embora é que percebi o quanto sempre estiveram presentes, pois, até então, nunca haviam desaparecido. Estavam aqui e agora, se há matéria, é só palavra, papel, tinta – um fantasma no envelope fechado, um fantasma dobrado na gaveta. Que meia dúzia de palavras corajosa poderiam lhes escapar lá de dentro?” (p.171)

Voltei à mesa e comecei a escrever essas coisas depois de todo o cansaço dos dias e das alegrias dos vivos. Queria dizer de algo que vi em Cecília e Verônica que me fizeram voltar ao Pequeno Manual do César Aira, mas a madrugada me consome e marquei café da manhã cedo pensando em não perder a coletiva (e já nem sei se devo ainda acreditar nisto) de Dennis Lehane e chegar a tempo de encontrar um lugarzinho menos lateral na Mesa 1: dos ousados e bons brasileiros que têm me arrancado orelhas nos seus novos livros. (porque ando mesmo inteiramente orelhas e das mais imperfeitas, praticamente fazendo questão do “dane-se”) Mas, a madrugada me faz mal aos olhos. E o corpo dói em súplicas pela cama fofa de poucas horas de duração.

A FLIP é assim mesmo. E faz essas coisas com a vida da gente, com as orelhas, com os risos, com as linhas, com as vontades. Eu faço parte da FLIP dos humanos orelhudos. Há outra, creiam-me. Há a FLIP dos escritores e dos convidados. Ninguém pode compreender o olhar do outro em tão diferentes alturas. Há estrelas. E regras. E elegâncias. Há quem proíba ser fotografado, há quem se negue a dar entrevistas, há um povo na praça procurando linhas e outro no meio do jardim de uma pousada luxuosa trocando línguas. Mas de tudo, creio, há o melhor: talvez um mexicano que escreva a sangue ou um moçambicano que revire a alma de quem estiver no canto lateral de uma vida qualquer.

E continuamos. Amanhece para as janelas coloridas e atrás de algum barco hei de encontrar a Sheila e o Miguelão de Veronica Stigger, tecendo planos à moda dos melhores dias.

Tarde movimentada

July 4th, 2007

Paraty é festa e trabalho. Daqui a pouco, coletiva com Ishmael Beah.

Liz Calder, coletiva com jornalistas
FLIP: Liz Calder, coletiva com jornalistas.

Cassiano Elek, coletiva com jornalistas
FLIP: Cassiano Elek, coletiva com jornalistas.

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FLIP: Sala de Imprensa.

Nas ruas, Seu Tiago
Nas ruas, Seu Tiago.

Coletiva com jornalistas
FLIP: Coletiva com jornalistas.

Nas ruas, FabrÃcio Corsaletti.
Nas ruas, Fabrício Corsaletti.

Fotos: Sergio Fonseca