Rodrigo Fresán

Apontado pela crítica como um dos melhores narradores de língua espanhola da nova geração, o argentino Rodrigo Fresán tem um estilo muito pessoal, em que o registro frenético e digressivo expressa uma visão apocalíptica do mundo moderno. Suas narrativas combinam vários gêneros, como ficção científica, romance de amor, thriller, fartas referências à cultura pop - principalmente a música - além do cinema. A memória como ferramenta de exploração do passado, a reflexão sobre o tempo e o monólogo interior, atrás do qual se esconde muitas vezes o narrador-personagem, são outras características marcantes de sua prosa.

Seu sétimo livro, Jardins de Kensington, o primeiro publicado no Brasil, pela Conrad Editora, é um romance com dois universos que se interpenetram. De um lado, temos a biografia romanceada do escritor escocês James Matthew Barrie (1860-1937), autor de Peter Pan, e sua relação com a família Llewellyn, em cujos filhos Barrie se baseou para criar o famoso personagem, com a Londres vitoriana como pano de fundo.

De outro, a fugidia biografia de Peter Hook (cujo nome alude tanto a Peter Pan quanto ao Capitão Gancho, o inimigo do menino que se recusa a crescer), um autor de livros infantis de sucesso, filho de um lisérgico cantor de rock da cena londrina dos anos 1960. Hook é obcecado pela vida de Barrie, que narra a um interlocutor durante uma madrugada, entremeando-a constantemente com suas próprias recordações.

A intertextualidade orquestrada por Fresán lança mão de citações, recordações, sonhos, realidade, literatura, meta-literatura, rock, personagens reais e imaginários, combinados de modo vertiginoso para falar sobre a dificuldade de crescer e amadurecer - daí a referência a Peter Pan -, o tempo e a perda da inocência.

Rodrigo Fresán nasceu em 1963, em Buenos Aires, e vive em Barcelona desde 1999. Além de escritor, trabalha como jornalista e tradutor. Publicou Historia argentina (1993), Vidas de santos (1993), Trabajos manuales (1994), Esperanto (1997), La velocidad de las cosas (2001), Mantra (2001) e Jardins de Kensington (2003).

Fonte: Lu Fernandes Escritório de Comunicação